terça-feira, 19 de julho de 2011
Havaianas, TODO MUNDO USA.
Queria saber quem foi o gênio que criou esse slogan “Havaianas, todo mundo usa, recuse imitações”.
Aliás, esse meio gênio. Eu concordo que TODO MUNDO usa essas sandálias. Desde a famosa mais rica da Globo, que é fotografada no calçadão de Copacabana pela Contigo! até a diarista da minha casa. Quando eu digo que a pessoa que criou esse slogan é um meio gênio, é porque ninguém recusa uma imitação das Havaianas. Ou vai dizer que você aí, nunca usou uma Dupé, Ipanema ou Macarena (essa última é top podre, atestado master de “sou pobre sim, e daí?”). Na verdade, eu nem sei por que to dando tanta importância a essas sandálias, mas não podia ser diferente, já que a história de hoje gira em torno delas.
Eu tinha 18 anos quando essa história ocorreu.
Uma amiga minha me apresentou a um amigo dela, o Fabrício. Fomos nós 3 pra um barzinho e como vocês já sabem rolou aquilo que sempre rola num primeiro encontro. Todo mundo é simpático demais, quietinho demais e sem defeito demais, né? As conversas são super interessantes, e não sei por que, mas nesse momento “Tô te conhecendo” sempre se repetem as mesmas perguntas...
Comigo foi mais ou menos assim:
Fabrício:
-E aí faz o que da vida?
Eu sorrindo, já com câimbra no músculo risório:
-Fisioterapia...
- Tu gosta?
-Adoro! (Ele esperava que eu respondesse o que? “Ah velho, odeio, mas sabe como é, tava tão entediada em casa que resolvi estudar Fisioterapia, tenho fetiche por articulações do corpo humano”)
2ª pergunta clássica de primeiro encontro:
-Que tipo de música tu costuma ouvir?
-Ah, sou super eclética, escuto tudo: MPB, forró, axé, música clássica, tango. (Mal sabe ele que no meu celular tem todas as músicas de Michele Melo, Luan Santana e Menudos)
Aí, quando você pergunta isso mesmo para o jovem, ele responde:
-Ah, eu também sou assim, escuto de tudo um pouco. (Fala sério, tu tem cara de quem fica roendo ao som de Belo, vendo o mesmo vídeo no youtube e ainda mais legendado, para acompanhar a letra).
Depois disso, vem a pergunta que vai fazer ele te julgar como santa ou piriguete:
-Tu costuma sair pra onde normalmente?
Você, com aquela cara de Açucena de Cordel Encantado, responde:
-Rapaz, sou muito caseira, nem saio muito, só às vezes... (Nessa hora você já pensa nas fotos do Facebook que podem te queimar... Aquelas fotos que você tá dançando funk na boate)
Aí, o moço olha com aquela cara de “Me engana que eu gosto”...
Agora sabe o que me deixa muito sem graça? Quando o indivíduo indaga bem assim:
-O que te atrai num homem?
Nessa hora TODA mulher responde utopicamente:
-Hum, tem que ter bom humor, ser sincero, legal, gentil, fiel, cheiroso e me tratar super bem, né? (Essa é a descrição perfeita do meu cabeleireiro gay)
Nessa hora o cara se desespera internamente, pois ele sabe que é praticamente impossível ter todos essas qualidades, mas mesmo assim ele faz uma cara de:
“Eu sou exatamente assim, baby”. #querovomitar
Bem, depois dessas perguntas e outras tantas, você começa a se ligar se o carinha é gente boa ou não, se vale a pena levar aquilo pra frente ou é melhor esperar outro primeiro encontro (com as mesmas perguntas).
No meu caso com o Fabrício, o encontro foi bem legal. Conversamos bastante, até que ele resolveu me chamar pra um show que aconteceria no dia seguinte, de uma banda de Axé. Como eu sou bem fã da tal banda, resolvi aceitar o convite dele. No fim da noite ele me deixou em casa e combinamos a saída da noite seguinte.
No outro dia, ele me adicionou no MSN e Orkut, e conversamos até a hora do show.
Por ser um show de Axé, mais despojado, resolvi colocar um short jeans e uma blusa arrumadinha, no pé coloquei uma sandália rasteira que eu tinha, muito bonitinha, cheia de strass. Falando sério, eu tava super arrumadinha.
Quando deu 19 horas, o Fabrício chegou aqui em casa. Eu entrei no carro super sem jeito, quando ele me deu uma flor (Izi Malia, que coija mais linda...), Não sou meeeeega fã de flor não, mas foi bonitinho né?
Seguimos para o local do show. Quando chegamos lá e eu desci do carro, simplesmente minha sandália partiu-se! Isso mesmo, meus caros, a porcaria da sandália arrebentou e não tinha como consertar. Eu entrei em desespero e olhei com cara de choro pra Fabrício, dizendo:
-Meu Deus, minha sandália partiu!
Fabrício um pouco sem entender a gravidade perguntou se não tinha como ajeitar ali.
-Tem não, e agora?
Aí ele:
-Entra descalça, ué?
É O QUE, MEU FILHO? DESCALÇA? PRA MIM EU SOU DALAI LAMA, PRA SAIR POR AÍ SEM SAPATO.
Vocês devem estar se perguntando por que eu não voltei em casa. Pô, Fabrício já tinha pagado o estacionamento que custou a ele 10 reais. Imagine o prejuízo que eu ia dar, sem condições.
Mas, eu sempre tenho as melhores ideias, isso é fato... No meio do desespero eu ouvi uma voz, que dizia assim:
-OLHA O CIGAAARRO, QUEM VAI QUERER? TEM MALBORO E DERBY.
Mermão, quando eu olhei pra vendedora de cigarro, vi que o no pé dela, tinham duas lindas Havaianas calçadas. Oxe, num tive dúvida, cheguei perto dela e disse:
-Moça, por quanto a senhora me vende sua sandália?
Ela:
-Han?
Eu quase chorando:
-É moça, minha sandália já era, preciso de uma sandália... Quanto a senhora calça?!
-39
-MEU NÚMERO, SUA LINDA. Me vende por quanto?
Ela cochichou com a vendedora de Hot-Dog e disse:
-Dez real!
Na hora tirei o dinheiro e calcei as Havaianas (elas estavam encardidas já, e tão usadas que eu conseguia sentir o asfalto pelo solado), mas com o alívio que eu senti, parecia que tinha um par de Arezzo nos meus pés.
Fabrício sem acreditar naquilo, olhou com cara de nojo pros meus pés e disse:
- E se essa mulher tiver frieira?
Na hora eu respondi:
-Prefiro pegar micose que entrar descalça...
Aproveitei o show, super bem, com minhas novas sandálias e agradeço até hoje a vendedora de cigarro, por ter salvo minha noite. E antes que alguém pergunte, eu e Fabrício não demos certo... Descobri que ele é fã de Wando e Netinho de Paula. Brincadeira viu, pessoal?
Com isso aprendi:
- Antes de sair de casa, se certifique que sua sandália está bem colada, mas por precaução, leve uma reserva na bolsa.
-Faça um panfleto com as respostas que você com certeza dará num primeiro encontro, assim você economiza tempo e saliva.
-Antes de sair de casa, dê aquela checada no Facebook/Orkut e apague a foto que você aparece estilo Valeska Popozuda.
E por último:
Só vá pra shows, se tiver certeza que as vendedoras de cigarro/bombom/espetinho calçam o mesmo número de sandália que você.
Beijos,
Thaís.
*Fabrício é pseudônimo.
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Carambaaa!! Agora eu entendo pq no seu pé tem a marca perfeita de uma havaianaa....Sequelas.
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mijei. Tu é esperta ora caralho, bicho.
PS: Na boa, CE TINHA TUDO PRA DAR CERTO COM FABRÍCIO. #FIKDIK.