Muita gente acredita na lenda urbana da Loira do banheiro, né?
Eu preciso compartilhar um fato com vocês: Por pouco eu não virei a menina do banheiro.
Sim. Menina, por que eu tinha apenas 6 anos, quando essa história aconteceu.
O ano era 1997. Nessa época, Chiquititas estava no auge do sucesso, Titanic era o filme mais comentado do momento, Lady Diana faleceu, Fernando Henrique era nosso Presidente, minha mãe assistia “Por amor” na Globo, Sandy não era Devassa e Júnior ainda estava na mídia,
“George: O rei da floresta” ainda era um filme inédito, Ivete Sangalo não era milionária. E eu, estava na Alfabetização.
Como toda criança, de seis anos de idade, minhas manhãs se resumiam a:
-Colar papel crepom picado num desenho.
-Usar tinta Guache como uma fonte inesgotável.
-Escrever textos ricos do tipo: “A bola é vermelha”, “A menina é bonita”, “A flor é rosa”
-Sentar no chão, até a bunda ficar quadrada, ao som de Eliana, Angélica ou Xuxa.
-Correr na hora do recreio para pegar o balanço vazio.
Eu estudava num colégio, que, ficava em frente ao Edifício onde eu morava, era tão perto que eu
A minha sala de aula era ampla e tinha uma peculiaridade: Nela havia um banheiro.
Tudo bem que criança não consiga segurar
Era uma manhã ensolarada, de sexta-feira. Sim, eu tenho boa memória! Tudo ocorria muito bem... Mas é como dizem “Bom demais pra ser verdade”.
Eu já tinha feito a caligrafia do dia (Acho que em vão, pois até hoje minha letra parece uma psicografia).
Já tinha desenhado uma árvore e era chegada a hora mais esperada do dia:
Sentar no chão para ouvir música!
#TODASGRITA
No meio da música “borboletinha tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha”, fiquei muito apertada e fui fazer xixi. Fiz xixi e lavei minhas mãos, assim como o Castelo Ra-tim-bum me ensinou. Quando eu girei a maçaneta da porta, SIMPLESMENTE NÃO ABRIA, NÃO ABRIA.
Fiquei desesperada, louca, alucinada...” E agora? O que farei?” pensei na hora.
Resolvi bater na porta e gritar. Mas a música da Eliana estava muito alta, e 25 crianças cantavam junto com a professora, Tia Dandara*.
Reparei que a janela do banheiro tinha vista para minha casa! Subi na privada e comecei a gritar desesperadamente:
-NAAAAALVA, NAAAAALVA, NAAAAALVA (minha babá, na época)
E Nalva ouviu? NÃO ¬¬
Eu já tava conformada com a ideia de morar no banheiro... Olhei pra torneira e logo pensei :
“Quando eu sentir sede, vou tomar essa água”
(o que mais me doía é que do outro lado da porta, na minha lancheirinha, estava minha garrafinha de Pitchula Guaraná, e eu iria tomar água da COMPESA. Oh, vida injusta!)
Mas tudo bem até aí... mas e quando a fome batesse?
E quando a escola fechasse?
Por que provavelmente, quando Nalva fosse me buscar e não me achasse lá, minha mãe ia na polícia dizer que eu fui sequestrada.
Comecei a imaginar minha vida toda naquele banheiro... eu crescendo, e comemorando anos de vida junto com uma privada, uma pia, um espelho e uma toalhinha (que por sinal, era verde e muito fedida)... Imaginei minha mãe com outra filha e eu assistindo tudo da janelinha.
Me imaginei adulta e ainda assim, morando no banheiro.
Pra falar a verdade eu até comecei a me acostumar com a ideia, tirando o fato, claro, de morrer de fome. Isso era o pior, tendo em vista que sempre me alimentei direitinho.
Eu tava gostando da ideia, pois eu seria a primeira criança a morar sozinha, aos 6 anos de idade.
Depois de muito sofrimento, planos pro futuro (nada como a inocência de uma criança) e sede:
BEEEEEEEEEEEEEI! (Onomatopeia referente a porta abrindo violentamente).
Tia Dandara abriu a porta e me salvou!
Todas as crianças ficaram comovidas com meu caso, fizeram uma roda ao meu redor, me abraçaram, prometeram picolé (que até hoje não deram) e eu só fazia chorar.
Com isso aprendi:
-Nunca matricule seu filho numa escola que tem um banheiro dentro da sala de aula.
-Sempre leve comida, água mineral e celular ao banheiro, nunca sabemos quando vamos ficar presos.
-Peça pra abaixar a música da Eliana, quando você for se ausentar.
E o mais importante:
-SEMPRE AVISE A SUA BABÁ QUE VOCÊ PODE ESTAR NO BANHEIRO DA ESCOLA.
Beijos e Bom São João,
Thaís.
Obs:Tia Dandara é pseudônimo
Obs²: E gostaria de agradecer ao meu amigo Brenno, pela ilustração da história de hoje.
Ah, e ele tem um blog muito legal: http://notprettyregularly.blogspot.com/
Obs³: Gostaria de agradecer também, à todos, que acessaram o Não bebo refrigerante. Brigadão, tá :)
Depois do São João, prometo uma história massa... Já que no feriado ficarei impossibilitada de postar.

Me apaixonei por essa tia Dandara.
ResponderExcluirnalvaaaaaaaa! kkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluirMermão, chorei 2 garrafões de água mineral. MUITO MUITO MUITO BOM! Não conhecia essa história. Huahuahuahuahuahuhaua.
E quando tiver meu filho, lembrarei de verificar a sala de aula. Hahahaha
Bjs, amigue. Apague sua fogueira nesse SEU JOÃO, e volte logo :*
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..
ResponderExcluirMarhy, essa história é clássica! hahaa
apagarei minha fogueira, podeixar..
beeijoo
Mermããão, vc está no curso errado! Tu escreve muito bem! Adorei a história! :*
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkkkk como que eu nunca soube dessa história? hilária!! to adorando seus posts xD
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