quarta-feira, 22 de junho de 2011

A menina do banheiro



Muita gente acredita na lenda urbana da Loira do banheiro, né?

Eu preciso compartilhar um fato com vocês: Por pouco eu não virei a menina do banheiro.
Sim. Menina, por que eu tinha apenas 6 anos, quando essa história aconteceu.

O ano era 1997. Nessa época, Chiquititas estava no auge do sucesso, Titanic era o filme mais comentado do momento, Lady Diana faleceu, Fernando Henrique era nosso Presidente, minha mãe assistia “Por amor” na Globo, Sandy não era Devassa e Júnior ainda estava na mídia,
“George: O rei da floresta” ainda era um filme inédito, Ivete Sangalo não era milionária. E eu, estava na Alfabetização.
Como toda criança, de seis anos de idade, minhas manhãs se resumiam a:
-Colar papel crepom picado num desenho.
-Usar tinta Guache como uma fonte inesgotável.
-Escrever textos ricos do tipo: “A bola é vermelha”, “A menina é bonita”, “A flor é rosa”
-Sentar no chão, até a bunda ficar quadrada, ao som de Eliana, Angélica ou Xuxa.
-Correr na hora do recreio para pegar o balanço vazio.

Eu estudava num colégio, que, ficava em frente ao Edifício onde eu morava, era tão perto que eu bebia água em casa quando dava sede via da janela da sala minha casa.
A minha sala de aula era ampla e tinha uma peculiaridade: Nela havia um banheiro.
Tudo bem que criança não consiga segurar xixi e cocô suas necessidades fisiológicas por muito tempo, mas não estudo arquitetura nem pedagogia para entender o porque daquele banheiro ali. O fato é, que foi lá o cenário de um dos dramas vividos por quem vos escreve.
Era uma manhã ensolarada, de sexta-feira. Sim, eu tenho boa memória! Tudo ocorria muito bem... Mas é como dizem “Bom demais pra ser verdade”.

Eu já tinha feito a caligrafia do dia (Acho que em vão, pois até hoje minha letra parece uma psicografia).
Já tinha desenhado uma árvore e era chegada a hora mais esperada do dia:
Sentar no chão para ouvir música!

#TODASGRITA

No meio da música “borboletinha tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha”, fiquei muito apertada e fui fazer xixi. Fiz xixi e lavei minhas mãos, assim como o Castelo Ra-tim-bum me ensinou. Quando eu girei a maçaneta da porta, SIMPLESMENTE NÃO ABRIA, NÃO ABRIA.

Fiquei desesperada, louca, alucinada...” E agora? O que farei?” pensei na hora.

Resolvi bater na porta e gritar. Mas a música da Eliana estava muito alta, e 25 crianças cantavam junto com a professora, Tia Dandara*.
Reparei que a janela do banheiro tinha vista para minha casa! Subi na privada e comecei a gritar desesperadamente:

-NAAAAALVA, NAAAAALVA, NAAAAALVA (minha babá, na época)

E Nalva ouviu? NÃO ¬¬

Eu já tava conformada com a ideia de morar no banheiro... Olhei pra torneira e logo pensei :
“Quando eu sentir sede, vou tomar essa água”
(o que mais me doía é que do outro lado da porta, na minha lancheirinha, estava minha garrafinha de Pitchula Guaraná, e eu iria tomar água da COMPESA. Oh, vida injusta!)

Mas tudo bem até aí... mas e quando a fome batesse?

E quando a escola fechasse?

Por que provavelmente, quando Nalva fosse me buscar e não me achasse lá, minha mãe ia na polícia dizer que eu fui sequestrada.

Comecei a imaginar minha vida toda naquele banheiro... eu crescendo, e comemorando anos de vida junto com uma privada, uma pia, um espelho e uma toalhinha (que por sinal, era verde e muito fedida)... Imaginei minha mãe com outra filha e eu assistindo tudo da janelinha.

Me imaginei adulta e ainda assim, morando no banheiro.

Pra falar a verdade eu até comecei a me acostumar com a ideia, tirando o fato, claro, de morrer de fome. Isso era o pior, tendo em vista que sempre me alimentei direitinho.
Eu tava gostando da ideia, pois eu seria a primeira criança a morar sozinha, aos 6 anos de idade.

Depois de muito sofrimento, planos pro futuro (nada como a inocência de uma criança) e sede:
BEEEEEEEEEEEEEI! (Onomatopeia referente a porta abrindo violentamente).

Tia Dandara abriu a porta e me salvou!

Todas as crianças ficaram comovidas com meu caso, fizeram uma roda ao meu redor, me abraçaram, prometeram picolé (que até hoje não deram) e eu só fazia chorar.
Com isso aprendi:

-Nunca matricule seu filho numa escola que tem um banheiro dentro da sala de aula.

-Sempre leve comida, água mineral e celular ao banheiro, nunca sabemos quando vamos ficar presos.

-Peça pra abaixar a música da Eliana, quando você for se ausentar.

E o mais importante:

-SEMPRE AVISE A SUA BABÁ QUE VOCÊ PODE ESTAR NO BANHEIRO DA ESCOLA.



Beijos e Bom São João,


Thaís.

Obs:Tia Dandara é pseudônimo

Obs²: E gostaria de agradecer ao meu amigo Brenno, pela ilustração da história de hoje.
Ah, e ele tem um blog muito legal: http://notprettyregularly.blogspot.com/

Obs³: Gostaria de agradecer também, à todos, que acessaram o Não bebo refrigerante. Brigadão, tá :)
Depois do São João, prometo uma história massa... Já que no feriado ficarei impossibilitada de postar.

6 comentários:

  1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Mermão, chorei 2 garrafões de água mineral. MUITO MUITO MUITO BOM! Não conhecia essa história. Huahuahuahuahuahuhaua.
    E quando tiver meu filho, lembrarei de verificar a sala de aula. Hahahaha

    Bjs, amigue. Apague sua fogueira nesse SEU JOÃO, e volte logo :*

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..
    Marhy, essa história é clássica! hahaa
    apagarei minha fogueira, podeixar..
    beeijoo

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  3. Mermããão, vc está no curso errado! Tu escreve muito bem! Adorei a história! :*

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  4. kkkkkkkkkkkkkkk como que eu nunca soube dessa história? hilária!! to adorando seus posts xD

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