Eu tenho muitas saudades da época do colégio. Sinto falta de algumas coisas, como:
Meu professor de literatura que era lindo... Gente, é sério, tudo o que eu aprendi sobre Machado de Assis e Cia, eu devo a ele. Mas acho melhor mudar de assunto, pois esse mestre merece uma história só pra ele.
Sinto falta do contato diário com meus amigos, da responsabilidade que era bem menor, naquela época. Mas nada me faz tanta falta quanto o fato de ir de Condução Escolar pro colégio.
Quando eu entrei na faculdade, entrei também num submundo: o do ônibus CDU/CAXANGÁ/BOA VIAGEM, toda manhã, quando eu subo nele, só me vem um único pensamento na cabeça “Eu era feliz e não sabia”. O cheiro do desodorante vencido (em plena 7 da manhã), o empurra-empurra e as acochadas, me fazem lembrar os momentos felizes que passei na Condução de Tio Carlos*.
Eu sempre fui de transporte escolar pro colégio, do maternal ao 3º ano.
Normalmente, nesses transportes, a maioria dos alunos tem menos de 10 anos de idade.Cansei de ouvir as músicas de High School Musical e Rebelde. Mas (por sorte) eu não era a única idosa de lá, uma grande amiga, a Patrícia*, desfrutou de bons momentos com a criançada.
(Falei igual ao Palhaço Chocolate agora).
Eu e Patrícia, ríamos muito com as crianças. E como não podia deixar de ser, abusávamos da inocência infantil, inventando cada mentira horrível (Espero que a mãe de nenhum deles leia essa história).
Porém, dou minha palavra que nunca contei pra eles que Papai Noel não existe, que a Fadinha dos dentes é uma estelionatária e que eles não nasceram da cegonha (Até porque, do jeito que o mundo anda, eu aprendi isso com eles).
O mais engraçado de conviver com eles, é que os pimpolhos acreditavam em TUDO o que a gente dizia, tudo mesmo. Uma vez eu e Patrícia dissemos que sabíamos falar inglês fluentemente, e começamos um diálogo mais ou menos assim:
-Everybody
-Rock your body
-Everybody
-Rock your body right
-Backstreet's Back alright.
Eles ficaram encantados com nossa desenvoltura lingüística, e, coitados, mal sabem eles que foram lesados.
Mas a história de hoje aconteceu em um dia depois da aula, por volta das 12:30. Foi mais ou menos assim:
Rafaela*, uma das meninas da condução, que tinha uns 7 anos, foi chamar Carlos, o motorista do transporte e claro que ela o chamava de” Tio Carlos”:
-Tio Carlos, o senhor vai dar bombom hoje? (Ele sempre dava, nas sextas)
Eu olhei pra ela, bem séria e disse:
-Rafaela, por que tu chama Carlos de tio? Ele é irmão da tua mãe ou teu pai?
Ela, um pouco confusa, respondeu:
-Não... Mas eu tenho que chamar ele de Tio.
Aí eu, muito malignamente disse:
-Sabia que é errado, chamar alguém que não é seu tio de verdade de Tio?
Rafaela ficou preocupada.
Aí Patrícia disse:
- Pois é Rafa, isso é pecado e Deus castiga.
Rafaela meio desconfiada retrucou:
-É nada, eu chamo todo mundo de tio e tia.
Eu com a maior cara de pau do mundo:
-É pecado, está na Bíblia.
Patrícia ainda completou:
-Mateus, capítulo 2, versículo 4...
Na mesma hora eu disse:
-Tá escrito “Não chamarás em vão, aquele que não for parente”
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, Vocês precisavam ver a cara de Rafaela nessa hora.
Ela ficou muuito preocupada, afinal, ela era uma pecadora desde os 3 anos de idade, no mínimo. Mas mesmo assim ainda duvidou.
Então Patrícia disse:
-Procure na Bíblia, Mateus 2:4.
Depois disso, Rafaela cada vez que ia falar com Tio Carlos, ficava com muito medo.
Mas tudo bem, ela foi pro colégio e eu e Patrícia não parávamos de rir. Sério, fiquei com uma dor de tanto gargalhar.
No outro dia Rafaela chega na condução dizendo que foi ver na Bíblia e não tinha isso. No mínimo ela contou pra mãe, e ela disse que era mentira.
Aí Patrícia disse:
-Que cor é a bíblia da sua casa?
Rafaela:
-Marrom
Patrícia:
-Pois é, só tem isso escrito na bíblia Azul.
Até hoje lembro da carinha desesperada dela.
Vocês podem até achar que éramos odiadas, por essas crianças, mas no meu último dia de condução, todas choraram muito. E antes que alguém diga que foi de felicidade,eu deixo claro que foi de tristeza, me senti como a Xuxa nesse dia.
Com isso aprendi:
-Nunca deixem seus filhos conversarem com gente tão mais velha.
-Não minta pra crianças, a não ser que seja necessário
-Tenha sempre duas bíblias de cores diferentes em casa.
e por último:
Não chamarás em vão, aquele que não for parente.Beijos,
Thaís.
*Tio Carlos, Rafaela e Patrícia são pseudônimos.
Sem nada a declarar com esse post! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk :P
ResponderExcluirEssa história é CLÁSSICA! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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