sábado, 20 de agosto de 2011

Presepada



Sempre quis ser atriz! Sério mesmo. Desde pequena gostei de atuar... Quando eu não queria ir para escola eu me fingia de doente, eu fingia tão bem, maaaas tão bem, que minha mãe uma vez ligou pra funerária, de tão séria que foi minha atuação.


E quando eu não fazia a tarefa de casa? Oxe! fazia uma cena digna de Hollywood. A professora lacrimejava diante dos meus dramas.

Tem gente que me pergunta “E por que tu não fez Artes Cênicas?”.

Rapaz, sabe como é... Se eu fizesse artes cênicas aqui em Recife, iria terminar no Teatro Barreto Júnior fazendo musical com o Palhaço Chocolate. E definitivamente esse não é o futuro que eu quero para mim.

A história de hoje vai contar sobre o começo da minha “carreira” no show business,
o momento que eu vi que tinha talento para atuar. A partir desse dia, eu já comecei a imaginar como seria o meu Arquivo Confidencial no Faustão. Minha mãe sentada no sofá aqui de casa falando da minha infância, minha professora do colégio lembrando-se de tudo o que eu fiz naquele tempo e uma amiga me queimando (Meninas, por favor, não coloquem fotos queimas lá, viu?). Do outro lado, eu chorando, o rímel escorrendo,a babinha no canto da boca e a câmera dando aquele close bandido.

Eu era alfabetização quando essa história aconteceu. Quem lê o blog sabe que foi nesse mesmo ano que eu fiquei presa no banheiro.

Como todo mundo, que já passou pela alfabetização sabe no fim do ano a festinha de Natal bomba muito no colégio... Sempre rola aquele coral maroto que canta:

“Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu Deus menino, para o nosso bem”...

O porteiro coloca aquele gorrinho de Papai Noel, bem estiloso.

Na minha escola, as professoras colocavam uma roupa de ajudante de Noel,que era simplesmente RI-DÍ-CU-LA!

Algumas semanas antes da festinha de Natal reuniram todas as crianças da Alfa, para uma reuniãozinha na quadra. Eles iriam escolher os personagens do presépio para começar a ensaiar.

Eu, que nunca fui muito disciplinada nesses momentos, só fazia conversar e brincar com minhas coleguinhas, enquanto Tia Dandara* (Ela mesma! Tão lembrados né?) e as outras Tias decidiam quem seria os personagens na peça.

Quando eu me dei conta do que estava acontecendo, vi que ali estava a oportunidade da minha vida: Virar atriz!

Cheguei toda me achando para falar com Tia Dandara e perguntei:

-Posso ser Maria?

Tia Dandara respondeu cruelmente:

-O papel de Maria é da Bruna*!

Só porque a Bruna é loirinha? Mais bonita? Que preconceito é esse?

Mas sabe como é: Artista que é artista sempre busca uma pontinha em qualquer espetáculo que seja. Resolvi pedir outro papel, nem que fosse de Rei Mago.

-Tia Dandara, eu quero participar, tem algum personagem sobrando?

Tia Dandara respondeu:

-Tem sim, Thaís! O BURRINHO DO PRESÉPIO. Você quer?

-CLARO QUE QUERO.

Vocês têm idéia do que eu estava fazendo? EU IA SER O BURRINHO DO PRESÉPIO DO NATAL. Mas tenho dito: Tudo pela arte.

A professora admirada com minha coragem ficou muito feliz e espalhou para o colégio todo que já tinha alguém para ser o burrinho do presépio.

Cheguei em casa e avisei que a fantasia de burrinho deveria ser providenciada. (Chato não é ser o burrinho de Natal, chato é ouvir até hoje sua mãe contando para todo mundo que você foi o burrinho de Natal).

Não pensem que eu me importo com a zoação, pois quando eu tiver no Programa do Jô, vou contar para ele como foi meu primeiro trabalho como atriz.

O grande dia finalmente chegou!

Bruna estava de Maria, Laura* de Ovelhinha, Paulo* de José, Júlio*, Miguel* e Luís* de reis magos, Davi* de Anjo Gabriel e Thaís de Burrinho. Na época, eu não tinha noção, mas todo mundo tava rindo ao me olhar... Se isso fosse hoje em dia eu usaria meu extenso vocabulário de palavrão. Oor!

Chegou a cena principal: QUANDO O BURRINHO LEVA MARIA E JOSÉ PARA A MANJEDOURA!

Lá estava eu, de Burrinho, uma roupa quente pra baralho e toda maquiada de quadrúpede.

Quando eu entrei na quadra, andando de quatro, fui aplaudida demais e todos riram muito. Na época eu não percebi, mas acabava de nascer uma estrela.

Infelizmente, eu passei mal nesse dia, após a festinha natalina... Desidratei por conta da fantasia e obviamente tive meu psicológico afetado pro resto da vida.

Brincadeiras à parte, eu adorei ter participado dessa peça e aprendi várias coisas:

-Quando forem distribuir os papeis do presépio, fique sempre atento, pois Maria e José são mais concorridos que oferta de escova progressiva no Peixe Urbano.

-Se só tiver o papel do burrinho para você, aceite! Ou vocês acham que o primeiro papel de Regina Duarte foi em uma novela de Manoel Carlos?

-Beba água antes de vestir a fantasia de Burrinho, a não ser que você leve o personagem a sério e seja burro ao ponto de querer vomitar muito, hahaha.

E por último:

- Marque direitinho o rosto dos outros alunos que riram de você, quando você for famoso isso será importante.



Beijooos,



Thaís.



*Tia Dandara, Bruna, Laura, Júlio, Paulo, Miguel, Davi são pseudônimos.

*Sim, sou eu na foto.
*Pessoal, Mil desculpas pela demora para atualizar o blog. As aulas voltaram e eu fiquei muito sem tempo, tentarei escrever novas histórias. Brigada por continuarem acessando meu blog.







Um comentário: